terça-feira, 16 de outubro de 2007

Vítimas de LER/DORT criam associação e página na Web

Objetivo é orientar e conscientizar trabalhadores e empresários sobre a prevenção de doenças por esforços repetitivos em ambientes de trabalho. Web site oferece informações sobre direitos previdenciários e trabalhistas relativas à doença.SÃO PAULO - Nos últimos anos, com a crescente informatização das empresas, da competitividade, da necessidade de aumentar a produtividade, da monotonia das atividades repetitivas, os empresários, na maioria das vezes, deixaram de implementar políticas de prevenção de doenças relacionadas ao esforço repetitivo nas atividades profissionais. Este fato gerou e ainda está gerando, um número alarmante de trabalhadores com sintomas de LER/DORT.Em Curitiba, Paraná, por exemplo, se tornou comum encontrar em consultórios médicos, laboratórios, clínicas de fisioterapia, INSS, etc, pessoas com os primeiros sintomas ou já em tratamento de fases bastante agudas da LER/DORT. Os trabalhadores lotam os consultórios reclamando de dores, edemas, inchaços e perda de força nos membros superiores. "Na maioria das vezes em que essas pessoas se encontravam, as queixas eram sempre as mesmas: dificuldades quanto à obtenção de informações sobre a LER/DORT, tratamentos adequados, cuidados necessários para o não agravamento da doença, previsão de recuperação, indefinição quanto ao retorno ao trabalho", conta Maria Natividade de Paula, aposentada por invalidez, que, junto com outros lesionados, criou a APPDORT, uma associação sem fins lucrativos e de caráter voluntariado.Nos consultórios, segundo Maria Natividade, as pessoas alegavam e ainda alegam, a dificuldade em obter um diagnóstico definitivo da patologia, pois as divergências de diagnósticos emitidos pelos especialistas, sempre geram muita confusão e perturbação nas pessoas acometidas pela LER/DORT. A associação das vítimas da LER/DORT constatou que muitos médicos especialistas, principalmente os do trabalho, se tornam resistentes em emitir um diagnóstico da doença, relacionando sua causa às atividades do trabalhador, ainda que na maioria das vezes as evidências não deixam dúvidas. "Esta postura coloca os empresários em uma situação bastante cômoda", avalia Maria Natividade. "Pois, segundo ela, as empresas se sentem desobrigadas de implementarem políticas de prevenção e deixam os trabalhadores à mercê da própria sorte. Estes fatores sociais, as dores e as limitações levam os portadores desta doença a desenvolverem, com freqüência, estados depressivos que necessita de acompanhamento psicológico".A medicação, baseada em analgésicos, antiinflamatórios e antidepressivos, muitas vezes, desencadeia efeitos colaterais, entre eles, problemas gástricos, que podem levar a gastrites e úlceras medicamentosas, disfunção renal e outros distúrbios de diagnóstico bastante complexo.Depois de quatro anos de sua criação em 1997, a APPDORT está lançando um web site no endereço www.appdort.org.br para ampliar sua área de atuação e melhor fornecer seu acervo aos trabalhadores acometidos ou não por LER/DORT, e aos empresários que desejarem implementar políticas de prevenção.As principais informações de que dispõe a APPDORT serão colocadas no web site. A entidade possui um cadastro de portadores de DORT de diferentes categorias profissionais, sendo que a maior incidência se dá nos setores bancário, metalúrgico e de informática. "A cada dia que passa, recebemos novos cadastros, bem como pedidos de orientações diversas, indicação de literaturas especializadas, indicação de profissionais da área médica ou relacionada, pedidos de parcerias em pesquisas", revela a presidenta da associação.Para prevenir o agravamento da doença é necessário, segundo a Associação, conscientizar os portadores de LER/DORT quanto à importância do acompanhamento e cumprimento rigoroso das recomendações médicas. "O que se precisa, e isto é urgente, é a conscientização da classe empregadora deste país sobre a necessidade de prevenção da LER/DORT. As empresas ocupam um papel muito importante neste processo, porque a elas é imputada a obrigação legal de proteger a saúde do trabalhador, sob pena de responder civil e criminalmente por um acidente de trabalho", alerta Maria Natividade.A LER/DORT não é mais uma doença desconhecida da sociedade, revela a presidenta da APPDORT. "Ela é, sim, uma doença da qual se fala pouco, que fica nos bastidores dos consultórios, das empresas e da Justiça. No Brasil ainda é muito barato se livrar de um trabalhador acidentado, avalia Maria Natividade. "Com a descaracterização do nexo causal, o que tem sido de certa forma simples de se conseguir, o empresário se vê livre de responsabilidades e gastos imediatos, e demite o trabalhador. A este, só resta a justiça. E esta é demorada e nem sempre justa! Com a alegação de proteger o Trabalho, não se protege a Vida do Trabalhador", explica.Para a APPDORT, somente com a divulgação de informações sobre prevenção, riscos da doença, e a efetiva fiscalização e autuação, pelos órgãos competentes, nas empresas que descumprem as leis, é que esse quadro pode ser revertido no Brasil. "Caso contrário, chegaremos em um futuro não muito distante, onde mais de 50% dos trabalhadores estarão acometidos por LER/DORT, gerando um ônus tão grande à sociedade e ao governo, que provavelmente, sairá dos próprios empresários, os recursos para a reversão do quadro. E não sairá barato!", alerta Maria Natividade.Os termos "LER - Lesões por Esforços Repetitivos" e "DORT - Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho", se referenciam à mesma patologia ou doença, e englobam as diversas tendinites causadas por esforços repetitivos, que afetam os membros superiores. O termo "LER" é mais conhecido e difundido, porém, o termo "DORT" é mais apropriado e reconhecido pela classe médica, pois possui um significado mais amplo e claro quanto à relação com o trabalho.Serviço:Associação dos Portadores de LER/DORTwww.appdort.org.br appdort@appdort.org.br Telefone (41) 222-2900

Um comentário:

Unknown disse...

Procurei a APPDORT - o telefone ñ existe e o site idem! como poderei localizá-los.
Grata

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